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O ministro da Defesa, Nelson Jobim, revelou ontem que o seguro oferecido pela Boeing para a transferência de tecnologia nos caças F-18 Super Hornet, que disputam licitação para renovação da frota da Aeronáutica, aumentou as dúvidas do Brasil no negócio.
Segundo ele, a oferta, feita pela empresa em carta em novembro de 2009, demonstrou que a própria companhia americana não está segura em relação à transferência que promete fazer para ganhar a licitação, também disputada pela francesa Dassault (com o Rafale) e pela sueca Saab (com o Gripen).
'Estou examinando (a proposição)', disse Jobim, após aula magna na Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro. 'Na hipótese de não haver transferência de tecnologia, oferecem o pagamento de 5% do valor da tecnologia a ser transferida. O que de um lado é interessante, mas de outro também é demonstração de que a própria Boeing não tem segurança. Porque o governo americano tem várias agências que decidem, inclusive o Congresso, que tem de aprovar essas transferências. O Congresso lá é muito forte.'
Ele lembrou que nos EUA essas decisões são das secretarias da Defesa e de Estado, além de dependerem de leis do Senado.
DECISÃO - Jobim afirmou também que o Ministério da Defesa tomará uma posição no caso, em 20 dias. 'Não é transferir para o presidente o ônus de escolher A, B, C. O que estou fazendo? Vou tomar uma posição. Vou dizer: olha, por isso, por isso, por isso, a melhor opção é xis', afirmou.
O ministro esclareceu que sua posição não será necessariamente a mesma que a da Aeronáutica, que já mostrou preferir o avião sueco. 'Será a posição do Ministério da Defesa. O que importa é a posição do Ministério da Defesa', disse.
Segundo Jobim, essa posição será discutida no Conselho de Defesa Nacional, órgão de aconselhamento do presidente da República, formada pelo próprio presidente, pelo vice-presidente, pelos ministros de Relações Exteriores, Defesa, Justiça e Planejamento e pelos presidentes da Câmara e do Senado 'A decisão final é do presidente', disse. Jobim lembrou que, na aprovação da Estratégia Nacional de Defesa, o presidente Lula também recorreu ao CDN.
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