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Em 2012, os aviões produzidos pela Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), em São José, vão utilizar combustíveis renováveis derivados da cana-de-açúcar.
A experiência faz parte de uma parceria entre a fabricante, a companhia aérea Azul, a norte-americana GE (General Eletric), que fornece turbinas para as aeronaves, e o grupo americano Amyris Biotechnologies, que desenvolve bioquerosene.
As empresas decidiram se unir para buscar uma alternativa economicamente viável e menos poluente que o querosene de aviação, combustível utilizado tradicionalmente nos aviões.
O acordo entre as empresas foi assinado em novembro do ano passado e o primeiro voo experimental com o combustível renovável está previsto para 2012, por um jato Embraer, operado pela Azul Linhas Aéreas.
Segundo o diretor de Estratégias e Tecnologias para o Meio Ambiente da Embraer, Guilherme de Almeida Freire, a parceria está associada à busca pela redução de emissões de poluentes na atmosfera, além de ser uma alternativa sustentável de longo prazo para jatos movidos a combustíveis derivados de petróleo. 'Apoiamos pesquisas de combustíveis alternativos para futuramente substituir o combustível fóssil por biomassa a partir da cana-de-açúcar.'
Com o novo biocombustível, a expectativa é que as emissões sejam reduzidas de 70% a 90%, se comparado ao querosene de aviação. Entretanto, ele afirmou que inicialmente o combustível derivado da cana será produzido em pequena escala. 'O bioquerosene será misturado ao atual querosene de aviação, numa proporção que pode chegar a 35%. No futuro poderemos chegar a uma escala de 50%. Essa mistura será escalonada aos poucos porque a produção em larga escala deve levar uma década.'
Freire disse que a empresa também atua na pesquisa de materiais mais sustentáveis em seus aviões por meio do desenvolvimento tecnológico de materiais compostos para aeronaves, da introdução de ligas mais leves e na eficiência energética, alterando o sistema elétrico dos aviões para gerar energia sem afetar potência. 'Queremos voar de forma mais eficiente e poluir menos.'
SUSTENTABILIDADE - Segundo o diretor-geral da Amyris no Brasil, Roel Collier, o bioqueronese a partir da cana-de-açúcar irá trazer uma solução sustentável para a aviação.
'Não existe no mundo nenhum combustível a partir da cana-de-açúcar. É uma solução renovável e com um aproveitamento energético igual ou superior ao do querosene de aviação'.
Segundo ele, testes de desempenho em motores já foram feitos com o novo bioquerosene. Ele acredita que a partir de 2013 já será possível realizar voos comerciais utilizando o combustível renovável no Brasil. 'Estamos acelerando os testes com o novo biocombustível para introduzir o produto no mercado entre 2012 e 2013.'
PRODUÇÃO - O executivo disse que o Brasil foi escolhido para utilizar e projetar essa nova tecnologia por ter uma experiência consolidada na produção de biocombustíveis e ter farta oferta de cana-de-açúcar.
'A cana-de-açúcar é um produto de alto desempenho, é barato e existe em abundância no Brasil. Atualmente, no país são utilizados 5 bilhões de litros de querosene de aviação por ano', afirmou.
Segundo Collier, produzido a partir da cana, o bioquerosene tem poder calorífico igual ou superior ao equivalente derivado do petróleo, mas com um nível de emissão de dióxido de carbono similar ao do etanol. 'O bioquerosene é um combustível alternativo que poderá superar o desempenho do tradicional, mas com um ganho ambiental superior a qualquer outro.'
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