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A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pretende aproveitar a visita de amanhã ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para pressionar o governo brasileiro a escolher o avião norte-americano F-18 Super Hornet na concorrência pública do programa F-X2, que prevê a compra de 36 caças supersônicos para a Aeronáutica.
Na audiência em Brasília, que também contará com a presença do chanceler Celso Amorim e possivelmente do ministro da Defesa, Nelson Jobim, Hillary deverá reforçar a posição de que a eventual vitória do F-18 facilitaria a negociação para compra pelo governo de Barack Obama de até 200 aviões Super Tucano da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), de São José dos Campos.
O contrato, caso seja efetivado, poderá render à empresa pelo menos US$ 1,5 bilhão (leia texto nesta página).
O encontro de amanhã de Hillary com Lula é considerado pelo governo norte-americano e pela Boeing, fabricante do F-18, como a última cartada para reverter a preferência já manifestada pelo presidente brasileiro pelo modelo Rafale, produzido pela francesa Dassault.
Também disputa a concorrência pública do programa F-X2 o avião Gripen, que é fabricado pela empresa sueca Saab e foi apontado como a melhor opção em relatório técnico da FAB (Força Aérea Brasileira).
A ofensiva de Hillary integra uma série de ações do governo norte-americano em prol da Boeing e que ganhou força no final do mês passado (veja quadro nesta página).
No último dia 23, o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, visitou o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, com o objetivo de fazer 'lobby' pela escolha do F-18.
No mesmo dia, Jobim encontrou-se em Washington com o secretário da Defesa norte-americano, Robert Gates, e aproveitou a audiência para informá-lo de que a decisão do governo brasileiro ainda não havia tomada e que existiria a possibilidade de o F-18 ser o escolhido.
Naquela ocasião, o ministro da Defesa brasileiro afirmou que o anúncio do vencedor do certame deverá ser feito até o final deste mês.
O recado de que a escolha do modelo norte-americano resultará no fechamento do contrato com a Embraer para fornecimento dos aviões Super Tucano já foi passado ao governo Lula pela equipe que está no Brasil preparando a visita de Hillary.
REAÇÃO - Empresários de São José e especialistas na área de Defesa acreditam que a ofensiva de Hillary poderá ser bem-sucedida e que a eventual vitória do F-18 beneficiará a Embraer.
'Para o setor aeronáutico, qualquer modelo que for o escolhido para o programa F-X2 será um bom negócio, mas o governo brasileiro tem que optar por aquele que traga mais vantagens para a Embraer. Neste sentido, tem que se levar em consideração essa possibilidade de contrato com a Embraer para venda de até 200 aviões Super Tucano para o governo dos Estados Unidos', disse o diretor-executivo do Cecompi (Centro para Competitividade e Inovação do Cone Leste Paulista), Agliberto Chagas.
VANTAGENS - O pesquisador de Assuntos Militares da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), Expedito Bastos, saiu em defesa da vitória do modelo F-18.
'As vantagens oferecidas pelos Estados Unidos não se limitam ao contrato que poderá ser fechado com a Embraer para fornecimento dos aviões Super Tucano, o que será importante para o país. O F-18 deveria ser o escolhido pelo governo brasileiro por ser o avião mais barato, mais fácil de operar e que conta com o maior número de peças de reposição.'
SILÊNCIO - Representantes da Boeing, da Dassault, da Saab, da Embraer e do Ministério da Defesa foram procurados ontem pelo valeparaibano para comentar o assunto, mas preferiram não se manifestar sobre a visita de Hillary ao Brasil e sobre o 'lobby' que ela pretende fazer em prol do F-18.
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