<< voltar

IAE desenvolve combustível mais seguro para foguetes


Fonte : Jornal Valeparaibano


Um grupo de engenheiros e técnicos do IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço), de São José dos Campos, trabalha para tirar o Brasil do atraso tecnológico de mais de 50 anos na área de propulsão de foguetes espaciais.

A proposta é, nos próximos 20 anos, colocar o país no seleto grupo de nações que dominam o ciclo completo de lançamento de foguetes a partir da utilização do combustível líquido.

Essa tecnologia é empregada pelos norte-americanos e russos desde a década de 1950, mas somente há cerca de 15 anos o Brasil iniciou um programa de estudos e pesquisas nesse campo.

Vinculado ao DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), o IAE domina o ciclo da propulsão sólida para foguetes. Há mais de 40 anos, graças aos esforços e pesquisas desenvolvidas nos laboratórios da instituição, o Brasil é capaz de produzir e lançar foguetes para fins científicos, como os da família Sonda, impulsionados por propelente sólido. O VLS (Veículo Lançador de Satélite), em fase de desenvolvimento no instituto, também emprega combustível sólido.

Agora, o desafio é movimentar os futuros foguetes brasileiros com combustível líquido, mais seguro e sucessor natural do propelente sólido.

AÇÕES - Para fomentar o trabalho, o IAE criou a Divisão de Propulsão Espacial, chefiada pelo capitão e engenheiro mecânico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Marco Fabius de Carvalho Torres.

Ele conta que as primeiras atividades nesse campo surgiram em 1996. No início, os esforços estavam voltados para a formação de mão-de-obra qualificada e aquisição de conhecimento teórico.

Para alavancar as pesquisas do país nesse setor, foi firmada cooperação com a Rússia que tem sido fundamental para o avanço das pesquisas nos laboratórios do IAE. A cooperação se dá por meio do Instituto de Aviação de Moscou.

Capitão Torres explica que a tecnologia da propulsão líquida não está disponível no mercado espacial. 'Não é uma tecnologia que você encontra disponível na prateleira do mercado. Por isso, optamos por começar do princípio, compreender o ciclo completo e dominar a tecnologia para o desenvolvimento de motores impulsionados a combustível líquido', afirma o especialista do IAE.

Depois de um período de sete anos praticamente 'desativado', o programa foi reativado em 2003 e ganhou impulso a partir de 2006. Atualmente, trabalha no projeto de construção de motores nacionais movidos a propelente líquido um grupo de dez engenheiros e técnicos.

Paralelamente às atividades de aquisição de conhecimento, o IAE montou um banco de testes para a realização de ensaios de motores, primeiro passo para a fabricação completa do sistema de propulsão a combustível líquido.

MOTORES - Os especialistas já construiram dois motores, denominados L5 e L15. O L5 (0,5 tonelada de força) foi desenvolvido em 2003. O sistema de funcionamento foi testado com a utilização de querosene e oxigênio líquido como propelentes.

Já o L15 (1,5 tonelada de força) empregou o etanol (álcool), combustível que o Brasil produz em abundância, como uma alternativa ao querosene para a propulsão do artefato. Está em fase de projeto um terceiro motor, o L75 (7,5 toneladas de força).

Por enquanto, os especialistas testam os artefatos em ensaios de laboratórios para verificar parâmetros de funcionamento dos equipamentos, que já contam com a participação da indústria nacional.

Entretanto, a expectativa do grupo é lançar o primeiro foguete brasileiro impulsionado por propelente líquido entre 2013 e 2015, segundo capitão Torres. Esse artefato servirá para os primeiros testes práticos.

'A utilização do combustível líquido no programa espacial brasileiro é essencial para o lançamento de foguetes de maior porte e para a colocação de satélites em órbita, além de representar um ganho tecnológico para o país', disse capitão Torres.





<< voltar