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Empresário pede a Lula revisão do F-X2


Fonte : Jornal Valeparaibano


Empresários do setor aeronáutico de São José dos Campos e a direção do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) regional decidiram ontem encaminhar uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitando que a decisão sobre a compra dos 36 caças supersônicos para a Aeronáutica tenha como base apenas o relatório técnico elaborado pela FAB (Força Aérea Brasileira).

O documento deve ser divulgado na próxima semana e faz parte de uma ofensiva do empresariado para tentar, como uma última cartada, demover o governo de optar pela aeronave Rafale, da francesa Dassault, apontada como a vencedora do processo de seleção do programa F-X2.

Na avaliação dos empreendedores, o pacote ofertado pela sueca Saab, com o seu avião Gripen NG, seria a melhor opção para o Brasil, como indica o relatório técnico da FAB, em análise no Ministério da Defesa.

Também participa do processo de seleção dos caças a norte-americana Boeing, com o supersônico F-18 Super Hornet. Conforme divulgado pela imprensa anteontem, dos três concorrentes, o pacote oferecido pelos suecos seria o mais barato, em torno de US$ 6 bilhões, seguido pelo da Boeing, no valor de US$ 7,7 bilhões. Embora tenha reduzido o valor do Rafale, o pacote da Dassault ficaria em torno de US$ 10,2 bilhões.

A compra da FAB inclui manutenção das aeronaves, fornecimento de peças por um período de 30 anos de vida útil do avião, além da transferência de tecnologia para a indústria nacional.

A Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica) foi escolhida pela Aeronáutica para ser a depositária dos conhecimentos que terão que ser repassados.

APELO - O apelo do empresariado foi costurado em uma reunião ontem na sede do Ciesp, com a presença de Fernando Arbache, especialista em Inteligência de Mercado.

Formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Arbache sugeriu ao grupo um posicionamento mais agressivo e claro do setor industrial em favor do relatório da FAB, para conquistar o apoio da sociedade e tentar evitar que a Dassault seja a vencedora.

'É preciso ações práticas e rápidas porque há pouco tempo para qualquer mobilização em favor de uma decisão técnica', afirmou o especialista, que também defende a proposta sueca.

Arbache relatou que até o dia 7 de setembro era certa a vitória da Dassault. 'Depois que o presidente Lula anunciou a sua preferência pelo Rafale, ocorreu uma mobilização nacional, o programa F-X2 ganhou visibilidade e surgiram interlocutores para defender a melhor proposta para o país', afirmou o especialista.

ARGUMENTOS - De acordo com o diretor regional do Ciesp, Almir Fernandes, a intenção da carta aberta é pedir para o governo acolher a posição da FAB no processo. 'Vamos mostrar, com argumentos, qual é a melhor proposta para a indústria aeronáutica nacional e reafirmar apoio ao relatório técnico da FAB', disse o executivo.

Fernandes declarou que o documento deve ser divulgado no começo da semana. Em princípio, será assinado pela direção da entidade. 'Vamos buscar também o apoio de outras entidades e de personalidades nacionais', disse o diretor do Ciesp.

'As entidades de classe que representam o setor industrial, como a Fiesp e o Ciesp, precisam se posicionar claramente. Até agora não vimos um posicionamento claro das entidades do segmento', disse César Augusto da Silva, diretor da Akaer, empresa do setor, que também defende a proposta da Saab.

MOBILIZAÇÃO - Além da carta, outras alternativas de mobilização da sociedade serão analisadas pelo grupo antes de o governo fazer o anúncio oficial do vencedor, previsto para após o Carnaval.

A expectativa é que o presidente Lula tome sua decisão até o final de fevereiro ou começo de março, após receber o relatório final do ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Em seguida, o presidente deve convocar o Conselho de Defesa Nacional para referendar a decisão do governo. A opção pelo Rafale leva em consideração o fato de a França ser considerada parceira preferencial e estratégico para o país, em função de outros contratos militares já firmados.


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