|
O Comando da Aeronáutica anunciou ontem que encerrou o relatório de análise técnica das aeronaves concorrentes no programa F-X2, que prevê a compra de 36 caças pela Força Aérea Brasileira. Com a conclusão do documento, empresários do setor aeroespacial do Vale do Paraíba aguardam o nome do vencedor para o final de janeiro.
A análise do alto escalão da FAB sobre os supersônicos oferecidos ao Brasil levou pouco mais de três meses para ser finalizada. Segundo a Aeronáutica, o relatório foi pautado na valorização dos aspectos comerciais, técnicos, operacionais, logísticos, industriais, compensação comercial (offset) e transferência de tecnologia oferecida pelas concorrentes.
Apesar de já concluído, o Comando da Aeronáutica informou ontem que 'até o presente momento' não entregou o documento ao Ministério da Defesa. O teor do documento será analisado pelo ministro Nelson Jobim, que está em férias e deve retomar as atividades na próxima segunda-feira. A Aeronáutica informou ainda que não há previsão de quanto o estudo será encaminhado.
Após a fase de avaliação, o ministro Jobim e o Alto Comando Militar da FAB devem fazer sugestões e observações sobre as propostas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que dará a palavra final sobre o programa.
A avaliação da FAB teria beneficiado o caça Gripen NG, da sueca Saab, considerado o mais barato comparado aos outros dois concorrentes --o F-18 da norte-americana Boeing e o Rafale, da francesa Dassault.
EXPECTATIVA - O processo de venda dos supersônicos deve mobilizar um montante estimado em R$ 4 bilhões. As empresas que disputam o contrato evitam falar em valores, mas todas garantem repasse 'irrestrito' de tecnologia, além de montagem e fabricação total ou parcial dos aparelhos no Brasil.
De olho nesses benefícios, empresários da região já assinaram cartas de intenções e memorandos de parceria com todas as concorrentes. No entanto, a preferência da maioria é pela proposta da Saab, que chegou a listar parte da fuselagem, trem de pouso e radares como componentes estratégicos que dividiria o know-how com o Brasil.
'Comenta-se que a decisão final poderá sair até o final desse mês, então a gente prefere acreditar. Sabemos que a decisão é política, cabendo ao presidente a análise final. Acredito que o principal ponto na decisão será o preço da Saab', disse Paulo Marioto, sócio-proprietário da Ambra Solutions, empresa de engenharia aeronáutica de São José.
'Acredito que o relatório já tenha sido entregue e que Saab é apontada como a favorita. Minha expectativa é que o resultado seja divulgado entre final de janeiro e início de fevereiro. O preço, o repasse de tecnologia e a geração de empregos devem ser avaliados', disse César Silva, proprietário da Akaer, que trabalha com desenvolvimento de projetos aeronáuticos, instalada em São José.
DECISÃO POLÍTICA - O caça Rafale, da francesa Dassault, é apontado como o preferido entre as autoridades políticas, porém os custos do projeto, caso o governo brasileiro escolha os aviões, são apontados como um fator negativo ao pleito francês.
Em prol da norte-americana Boeing contam argumentos como a possível superioridade técnica do jato F-18 Super Hornet, além da disposição da empresa americana de desenvolver com a Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), sediada em São José, o cargueiro militar KC-390, a ser vendido para a FAB.
A Saab, a Boeing e a Dassault preferiram não apontar um prazo para a conclusão do programa. As empresas aguardam a decisão oficial do governo brasileiro para se manifestar sobre o assunto.
|